Reportagem sobre a Dosmontes
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O Primeiro de Janeiro, um dos mais antigos jornais diários portugueses, já com mais de 135 anos, publicou na sua edição de 23 de Janeiro de 2005 um dossier destacável dedicado à reabilitação e recuperação de edifícios. Em face das inúmeras vantagens do LSF nesta área, a maioria das empresas construtoras, desde o Algarve a Braga, foram objecto de extensos artigos.

Reportagem sobre a Dosmontes

Dosmontes
Uma solução de futuro

"O grande objectivo da empresa Dosmontes é criar conforto em casa dos seus clientes. Dado que no mercado da construção de raiz existe excesso de oferta, pretendemos actuar principalmente na área da recuperação e reabilitação de edifícios."

Este é um sector em que é urgente intervir, para o qual este sistema construtivo tem soluções económicas, levando junto com a estrutura metálica um complemento de materiais que trazem acréscimos muito significativos no conforto.

Seja nos centros históricos das cidades, em edifícios onde o betão armado não é o elemento estrutural, seja em edifícios mais recentes onde se pretende reconstruir ou ampliar, e até acrescentar novos pisos, os materiais leves não têm competidor à altura.

Quer seja na recuperação da estrutura de um piso, na de um telhado, ou ainda na construção de paredes, se pretender substituir uma estrutura de madeira por outra, pode somar vantagens utilizando perfis ligeiros em aço. Não só existe actualmente uma falta de profissionais em carpintaria, como também a qualidade e o preço da madeira não trazem benefícios a quem tiver que decidir. Mesmo quando se pretende ter o calor da madeira à vista, a estrutura em aço ainda compete, já que o revestimento desta estrutura pode ser qualquer.

Caso pense ir para a pesada solução do betão, o reforço da estrutura que o irá suportar implicará duas obras, o reforço, mais o que pretender fazer. Dessa forma a obra torna se mais cara, sem qualquer vantagem em relação à nossa solução.

O sistema que preconizamos é uma estrutura leve e um suporte contínuo para os materiais de isolamento térmico, acústico, e de impermeabilização, juntamente com um revestimento como o gesso cartonado, que para alem de ser um material de acabamento, actua ainda como regulador da humidade ambiente.

Utilizando materiais que não são ávidos de água, revestimentos fáceis de manter quentes, devidamente isolados, a humidade, que é o grande factor de desconforto da construção tradicional, deixará de condensar nas paredes. Deixa de se ter a formação de bolores e com isso a saúde não só da casa como das pessoas que a habitam, é preservada.

A generalização da utilização da estrutura ligeira em aço galvanizado é só uma questão de tempo, é necessário que a sua divulgação chegue primeiro aos técnicos, arquitectos e engenheiros, a um maior número de construtores, e só então à generalidade dos clientes finais. Por enquanto não são só os consumidores que não conhecem, há também muitos técnicos que nunca viram ou ouviram falar. Estamos ainda nessa fase, referiu Francisco Vilhena, engenheiro e sócio-gerente da Dosmontes Construção Lda., em entrevista ao jornal “O Primeiro de Janeiro”.

Breve historial da empresa Dosmontes

Esta empresa nasceu em 1999, fruto de uma apresentação feita por outra empresa numa exposição. Fiquei verdadeiramente surpreendido quando vi que a solução apresentada não se baseava nos materiais convencionais, mas que estava perante uma casa, cuja estrutura era uma «gaiola em aço». Não estava ligado ao sector da construção, mas ao dos materiais, e queria construir a minha casa. Procurei obter toda a informação sobre este tema, os diferentes materiais empregues faziam todo o sentido. Era a estrutura, totalmente em aço, material com excelente relação resistência/preço, sobejamente utilizado em todas as aplicações em que se pretende resistência, ainda para mais galvanizado, que lhe garantia uma durabilidade maior que suficiente. Também a forma dos perfis, ligeiros por terem pouca espessura, proporcionam leveza e elasticidade, associada a menor custo. Características muito importantes seja no projecto, cargas menores, durante a construção, com a sua manipulação, como em caso de movimentos sísmicos em que a elasticidade dos materiais, juntamente com uma menor massa em movimento sobre as nossas cabeças, nos garantem outra segurança. Era também o isolamento térmico, garantido por diversos materiais, empregues nos locais certos. Não conhecia os revestimentos, mas depois de informado, faziam parte do objectivo final, ou seja e mais uma vez, o conforto. A baixa inércia térmica nesta construção permite regular facilmente a sua temperatura com um reduzido consumo de energia, ou com um simples arejar na hora certa.

Faltava-me saber quem iria construir a minha casa. Depois de ver diferentes casas em várias fases da construção, senti que não só o resultado final era o que queria, como o próprio trabalho me aliciava. Se esta construção era boa para mim, também o seria para os outros, podendo se transformar num negócio interessante. O desafio foi suficiente para me fazer empreender numa opção profissional que ainda se mantém. Seria eu que iria construir a minha casa. Habito-a há já um ano e não podia estar mais satisfeito. Criei a empresa Dosmontes Construção Lda em 1999, em sociedade com a minha mulher, tivemos a nossa formação, e passámos para o terreno apoiados por outra empresa de construção. Nessa altura num sistema de franchising ao qual aderi.

A procura de trabalho/clientes começou estava eu ainda como empregado na indústria automóvel. O primeiro desafio surgiu quando me foi pedido que reconstruísse um telhado e ampliasse um monte Alentejano no prazo de um mês. Tirei um mês de férias, desafiei um colega de trabalho, e a obra fez se no prazo pedido.

  • Perante duas realidades como a construção tradicional e a construção feita com recurso ao aço galvanizado como classifica esta nova técnica?

Um dos factores que qualquer cliente exige na realização de uma obra, é a rapidez. Aí estamos à vontade. Outro aspecto importante para a grande maioria é o preço. Aí competimos em qualidade. Os diferentes e variados materiais empregues, trabalham para um objectivo, o conforto, e este tem um custo. Quando a nossa aposta é dar provas de que é possível fazer e ter uma casa seca e quente, não podemos poupar nos materiais adequados. Poupa depois o cliente nos consumos de energia, mas nos materiais nós não poupamos. O nosso cliente alvo situa-se portanto na gama média alta, culta e viajada.

Relativamente à grande diferença entre as duas técnicas, já que no aspecto visual não há, ela reside para alem das vantagens já indicadas, numa pequena grande questão psicológica que são os nossos hábitos. Embora normalmente ninguém ande a bater nas paredes, o som que as nossas paredes produzem quando lhes batemos, não é o que qualquer Português habituado a viver no nosso país, está à espera. O som produzido é oco. Esta falta de massa e consequente devolução do som, é interpretada como falta de consistência, a qual produz efeitos devastadores no orgulho de um potencial proprietário, nem todos conseguem transpor esta barreira. Este factor, tecnicamente irrelevante, faz com que muitas pessoas continuem a viver no século XX, ficando lhes vedado o futuro. Podemos informar mas não podemos educar, não é a nossa área.

Outro aspecto importante, tem a ver com a precisão e rigor exigidos nesta construção. Na montagem da estrutura a tolerância de erro, é ao nível do milímetro, para evitar cortes ou ajustes nos materiais aplicados sobre esta. Por isto é requerida uma qualificação do pessoal, superior ao tradicional na construção civil. Se por um lado, a oferta de mão-de-obra é mais escassa e mais cara, por outro têm-se pessoas em obra mais capazes quer para resolver os problemas, quer para os antecipar evitando-os. Também aqui andamos um passo à frente da construção tradicional, já que podemos partilhar mais informação em obra, havendo receptividade na troca de informação.

Quanto à questão cada vez mais relevante, que é o ambientalmente correcto, mantemos a dianteira. O aço não só é reciclável, como foi já reciclado, pois utiliza na sua produção grandes quantidades de sucata. Um dia estas estruturas poderão ser novamente recicladas. No que se refere a desperdício, os perfis são fornecidos para a obra segundo uma lista de corte executada junto com o projecto, assim é muito diminuta a quantidade de material não empregue na obra, só o que é por questões de segurança pedido a mais. Mesmo esse voltará a ser empregue. Todo o material empregue é mais leve e compacto, obrigando a menos transportes. E no final, com a tendência para a generalização do aquecimento e arrefecimento das casas, os consumos de energia sendo muito menores, também contribuirão para um desenvolvimento sustentável.

  • Tanto quando conseguimos apurar a vossa empresa está prestes a entrar num projecto de recuperação no Centro Histórico de Lisboa.

Exactamente. Trata-se de uma construção do século XIX com um vasto trabalho de reabilitação, e a substituição de muitos elementos de madeira para aço galvanizado. A verdade é que os centros históricos das nossas cidades precisam de ser recuperados, havendo já felizmente grandes obras de reabilitação. O que nos parece mais significativo é que iremos apresentar com este conjunto de materiais, uma solução que muitos gabinetes de projecto, assim como empresas de construção, não só não conhecem como precisam de conhecer e utilizar.

Nesta recuperação, e por se tratar de uma construção com estrutura em gaiola de madeira, não iremos alterar a filosofia de construção, já que os princípios em que nos baseamos são exactamente os mesmos desse tipo de construção, ou seja a distribuição das cargas ao longo de todo comprimento e não pontualmente em pilares. Ou para ser mais preciso, os nossos pilares repetem se a cada 60 cm, distribuindo as cargas ao longo de toda a parede. A intervenção irá proporcionar não só uma substituição da estrutura, como permitirá acrescentar o isolamento e impermeabilização que tornará esta casa mais confortável do que alguma vez ela foi.

  • Face a este conjunto de vantagens inerentes à utilização do aço galvanizado entende que os organismos públicos, nomeadamente as câmaras municipais se deviam começar a informar sobre este material e, sempre que possível utilizá-lo nas suas obras, principalmente no domínio da recuperação?

Certamente que sim, por um lado quando emitem licenças de construção têm a obrigação de exigir que se construa com vista a uma melhor qualidade de vida dos habitantes. Por outro, que garantam que o consumo de energia no aquecimento ou arrefecimento, nem seja proibitivo, nem seja um desperdício.

No que se refere à utilização pelas próprias Câmaras, tal como o restante mercado, Universidades e Escolas de formação técnica, merecem ser informados, devendo-se informar e conhecer experiências, mantendo-se actualizados relativamente às novas tecnologias que já estão disponíveis. No que se refere às escolas, a formação deveria ser dirigida no sentido do que o mercado de trabalho procura, e se em termos de universitários há hoje em dia um excedente de formados que não consegue encontrar um trabalho à altura, nos trabalhadores manuais, há uma tão grande escassez que sem duvida os seus ordenados ultrapassarão no futuro os de alguns universitários. É pena que se fale tanto mas que se continue a não preparar os nossos estudantes. Infelizmente para uns, felizmente para outros, há actualmente disponíveis no mercado de trabalho estrangeiros qualificados que preenchem essa falha.

Outra entidade que só tem a ganhar nesta questão, já que permitirá aumentar a quantidade de recuperações de edifícios degradados, é o IPPAR, pois há muitas questões que podem ser resolvidas, e este instituto deverá tomar conhecimento de que existem alternativas novas, boas e económicas na resolução dos problemas que lhes são apresentados.

  • Que imagem é que o aço galvanizado tem transmitido para o exterior?

Como em todos as áreas também aqui pode haver bons e maus profissionais, logo bons e maus trabalhos, a verdade é que uma tecnologia nova que se pretenda afirmar terá que ser pela exploração ao máximo de todas as suas qualidades e potenciais, não se deixando levar por redução de custos que ponham em causa a qualidade e quantidade dos materiais que fazem a diferença.

  • Se o associativismo funcionasse em pleno talvez este tipo de construção pudesse tornar-se mais económica.

Sem dúvida nenhuma, os investimentos a realizar na divulgação positiva deste sistema são muito elevados, é uma tarefa que cada utilizador leva a cabo diariamente, com um desgaste grande seja em termos de trabalho pessoal seja de custos. Essa tarefa dividida em grupo custa menos. Existe um grupo de construtores do qual fazemos parte, que se reúne periodicamente com o objectivo de trocar experiências e conhecimentos seja em soluções empregues seja em materiais ou fornecedores. Há a intenção de nos juntarmos numa Associação, com o objectivo de reduzir os custos da construção, melhorar a qualidade e divulgar o método. Temos de manter esse objectivo, ir trocando informações e ganhando confiança no grupo. Paralelamente a isso é importante referir que também neste sector a evolução é permanente e, por isso convém que as empresas, tal como os consumidores não fiquem parados no tempo e acompanhem as mudanças que vão ocorrendo.

  • Apresentado que está este sistema é importante saber quais os principais projectos da empresa.

A curto prazo a empresa pretende manter-se focada no mercado da reconstrução, que é aquele que mais rapidamente verifica o que tem a ganhar. No futuro, quando se der o devido reconhecimento deste sistema, seja pelos clientes satisfeitos, seja pelas casas que comprovam a sua durabilidade, pretenderemos construir de raiz, investindo para vender.

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