Térmica - Estudo "Barraca A+"
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Com o objetivo de ajudar a compreender o impacto do isolamento térmico nos diferentes tipos de construção, a Futureng preparou dois estudos nesta temática.

  • O primeiro estudo, designado por "Barraca A+" (apresentado nesta página), ajuda a perceber como mesmo casas com métodos construtivos de excelência podem ter classificações baixas de comportamento térmico segundo a metodologia de classificação do RCCTE, sendo que o contrário também é verdade.
  • O segundo estudo, designado por Estudo Comparativo, é de ordem mais prática e consiste basicamente numa comparação entre dois edifícios com a mesma arquitetura: um com estrutura LSF corrente e outro com estrutura tradicional corrente.

Uma casa em LSF é sempre classe A+?

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Esta questão é frequentemente colocada por pessoas interessadas na construção em LSF. Para ajudar a responder a esta pergunta, preparámos duas modelações com base na regulamentação portuguesa para o "Comportamento Térmico, Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios", doravante designado por RCCTE (DL nº80/2006).

O estudo designado por "Barraca A+" tem como objetivo ajudar a compreender alguns aspetos do regulamento que, não estando ligados diretamente ao LSF, demonstram claramente que o método construtivo é apenas uma variável do algoritmo que define a classe energética. Outros fatores, independentes do método construtivo, acabam por ter um papel bastante relevante.

Estudo "Barraca A+"

O edifício base usado neste estudo é uma pequena moradia T2 no continente a mais de 5 km da costa localizada em zona urbana do concelho de Lisboa, com área de 93,80 m2.

Dentro dos dados acima simularam-se várias situações com soluções péssimas de construção e, em particular, de isolamento. No quadro seguinte encontram-se compiladas as condições das três situações simuladas:

TabelaA1.png

Nas soluções 1 e 2 apresentam-se condições de envolvente exterior fracas, com valores de condutibilidade térmica (U) relativamente altos, a qualidade de envidraçado é baixa tratando-se de um vidro simples com uma caixilharia básica, a ventilação processa-se de uma forma pouco eficiente e a qualidade dos painéis solares é mínima.

É importante realçar, porém, que apesar das condições destas duas soluções serem muito fracas, todos os aspetos considerados são aceitáveis do ponto de vista regulamentar para uma edificação nova. Ou seja, atendendo a alguns detalhes, é possível construir uma casa nova com estas soluções e,ainda assim, estar aprovada pelo RCCTE.

A solução 3 (designada premium) é uma solução excelente em termos de envolvente. Está muito acima dos parâmetros mínimos do RCCTE. Os valores de condutibilidade térmica são muito baixos para envolvente opaca e envidraçados, ventilação considerada ideal, e um painel solar de grande qualidade. Esta solução não pretende simular uma construção em LSF, apenas uma construção genérica de elevada qualidade de envolvente. Para compreender como uma construção em LSF se compara com soluções tradicionais, consulte o Estudo Comparativo.

A componente que estamos a tentar destacar como relevante tem a ver com os equipamentos usados nas edificações. Por isso, simulámos duas situações:

  • Situação 1: conjunto de equipamentos básicos por defeito segundo o RCCTE (as três soluções)
  • Situação 2: seleção de equipamentos com elevados rendimentos (soluções 1 e 2)

Situação 1

Segundo o RCCTE, estas são as condições mínimas de equipamentos em qualquer edificação:

TabelaA2.1.png

Apresentam-se os resultados das três soluções descritas acima quando equipadas na situação 1:

TabelaA2.2.png

Nota: Nic/Ni representa a relação entre as necessidades nominais de aquecimento e o valor limite para as necessidades nominais de aquecimento; Nvc/Nv representa a relação entre as necessidades nominais de arrefecimento e o valor limite para as necessidades nominais de arrefecimento; Nac/Na representa a relação entre necessidades energéticas para aquecimento das águas quentes sanitárias (AQS) e o máximo que este valor pode ter; Ntc/Nt representa a relação entre as necessidades globais anuais nominais específicas de energia primária e o máximo que este valor pode ter (esta relação está na base na classificação energética).

Conforme previsto, as soluções 1 e 2 não verificam a regulamentação quando equipadas de forma mínima. A classificação (C) não seria possível de adotar caso se tratasse de uma edificação nova.

Uma nota interessante, porém, é a solução premium. Apesar de uma envolvente excelente, quando equipada de forma básica não passa de uma classificação B.

Situação 2

O quadro seguinte resume um conjunto de equipamentos com bom desempenho:

TabelaA3.1.png

Apresentam-se os resultados das soluções 1 e 2 quando equipadas na situação 2 contrastando com a solução premium equipada de forma básica (igual a resultados anteriores):

TabelaA3.2.png

Conclusões

Os resultados permitem pelo menos três conclusões:

  1. Uma análise feita unicamente pela classificação energética está incompleta. Poucas pessoas escolheriam as soluções 1 e 2 para a sua casa. Porém, segundo o quadro acima, são estas as que obtêm classificação A+. A solução premium, equipada de forma básica, não passa de um B (evidentemente numa simulação em que tivesse os mesmos tipo de equipamentos usados aqui para as soluções 1 e 2, também teria classificação A+). Percebe-se aqui porque muitos técnicos ligados ao RCCTE criticam a importância e peso dado aos equipamentos na análise energética.
  2. A importância do isolamento passivo. A qualidade da envolvente de uma edificação é o que permite ao seu utilizador simplesmente não ter que ligar os equipamentos de climatização. A capacidade de uma edificação fazer isso vê-se nos parâmetros Nic/Ni e Nvc/Nv onde se pode perceber quão longe está o valor das necessidade Nic e Nvc quando comparado com o seu máximo Ni e Nv.
  3. Importância da decisão sobre equipamentos. Evidentemente esta é uma conclusão a tirar. Uma edificação com boa envolvente, como a solução dos edifícios em LSF, não consegue por si própria atingir uma boa classificação energética. Neste momento, com o RCCTE que está em vigor, o peso dos equipamentos é significativo e condicionante. Assim, aconselha-se todos os promotores a tomarem decisões ponderadas sobre que equipamentos usar.

Dados técnicos

Para obter os dados técnicos que serviram de base para a simulação, consulte a Nota Técnica dos estudos no link abaixo.

NOTA%20TECNICA_SITE.pdf

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