Durability of Cold Formed Steel Framing Members
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Ao se mencionarem as estruturas metálicas como solução estrutural, é comum surgirem questões relacionadas com a durabilidade das peças usadas. O receio da corrosão leva muitos a duvidarem da integridade estrutural do edifício, especialmente com o passar dos anos. Daí a importância de conhecer a durabilidade dos materiais usados por forma a saber responder às dúvidas de técnicos e clientes.

Nesse sentido, o American Iron and Steel Institute (Instituto Americano do Ferro e do Aço), a principal associação profissional dos produtores e transformadores de aço dos Estados Unidos, Canadá e México, já com mais de 140 anos de actividade, publicou em 1996 o documento com o título "Durability of Cold-Formed Steel Framing Members" (Durabilidade das Peças Estruturais em Aço Enformado a Frio).

Este documento com quinze páginas foi elaborado com o propósito de prover informação aos projectistas que os auxiliasse na escolha do tipo certo de chapa de aço revestido a usar na fabricação de perfis e vigas destinadas à construção de estruturas.

Para benefício dos nossos visitantes, decidimos efectuar a tradução deste documento e publicá-lo no nosso site. O texto colocado entre parêntesis rectos, [tal como neste exemplo], são informações que não constam do original mas que adicionamos para melhor compreensão do texto ou para adaptá-lo ao nosso mercado.

Pensamos que este documento fornece informações importantes para uma melhor compreensão dos fenómenos da corrosão dos metais, especialmente o aço e o zinco. Fica bem patente a boa capacidade do zinco em proteger o aço durante todos os processos de moldagem e construção, mantendo essa função durante a vida útil do edifício em praticamente todos os ambientes.

Lembramos que o documento parte do pressuposto que a maioria dos construtores usa aço com uma galvanização de 180 gr/m2. Assim, ao recomendar maior protecção em determinados ambientes, pretendia-se exortar os construtores a usarem maior peso no revestimento. Visto que a maioria das casas construídas no nosso país possuem aço com 275 gr/m2 de galvanização, depreende-se que a protecção das estruturas está acima da média de outros países.

Sugerimos aos construtores que se certifiquem junto do fornecedor sobre qual é a galvanização usada. Em casos muito excepcionais, como em zonas de praia ou em áreas fabris, onde o construtor e o dono da obra querem assegurar uma maior protecção do aço, talvez alguém pondere a utilização de outros meios de protecção anti corrosão, tal como o uso de galvanização com ligas de alumínio e zinco. Em tais casos, é preciso levar em conta os eventuais custos acrescidos, solicitando ao fornecedor do aço os preços de tais produtos.

O documento também deixa claro que o zinco fornece protecção suficiente nos locais de penetração dos parafusos ou no corte das peças. No entanto, é evidente que ninguém gosta de observar a cor acastanhada da ferrugem sobre os elementos da estrutura. Muitas vezes, a ferrugem que se observa é derivada do acúmulo de partículas ou limalha de aço resultantes do corte com disco abrasivo. Assim, é aconselhável limpar ou varrer a limalha, especialmente em zonas onde esta se pode acumular e ficar exposta à humidade, tal como acontece nos canais virados para cima. Uma sugestão é o uso de serras com disco diamantado visto que permite um corte mais perfeito e isento de limalha ou rebarba. Usar um pouco de tinta zincada em spray também pode melhorar o aspecto da obra e aumentar a protecção em pontos específicos, apesar de não existir qualquer obrigatoriedade legal nem necessidade evidente de o fazer.


DURABILIDADE DAS PEÇAS ESTRUTURAIS EM AÇO ENFORMADO A FRIO

Copyright 1996 by the American Iron and Steel Institute

Índice

Objectivo

O propósito deste documento é fornecer aos engenheiros, arquitectos, construtores e proprietários um melhor entendimento de como a galvanização (revestimento com zinco ou ligas metálicas que incluem zinco) provê uma protecção de longa duração às peças estruturais de aço.

Este documento também sugere linhas de orientação para a escolha, manuseamento e utilização do aço a utilizar em peças estruturais.

1.0 Vida expectável

Um edifício destinado à habitação é um dos poucos bens que os consumidores esperam que dure uma vida inteira ou mais. É portanto fundamental que o material usado na estrutura cumpra a sua função durante tanto tempo quanto os outros componentes básicos, tal como o revestimento do telhado, das paredes ou dos pisos. Para durar uma vida inteira, a estrutura em aço leve precisa de uma adequada protecção contra a corrosão. A galvanização tem provado ser o mais económico e eficiente meio de proteger o aço. Todas as peças metálicas estruturais usadas na construção residencial podem ser eficientemente protegidas através de um revestimento galvanizado.

2.0 Galvanizar

2.1 Definição

Galvanizar é o termo que define o processo pelo qual o aço é imerso num banho de zinco derretido (a 450 Cº) formando assim uma união metalúrgica entre o aço e o revestimento em zinco. Este mesmo processo de imersão a quente é também usado para os revestimentos com a liga zinco-alumínio. A maior parte do aço de baixa espessura é galvanizado por se desenrolarem as bobines fazendo passar a chapa através de um banho de zinco derretido a uma velocidade que pode chegar aos 200 metros por minuto. Ao sair da imersão, “facas” de ar sopram o excesso de revestimento da superfície da chapa controlando assim a espessura que se pretende atingir. O aço revestido é então oleado e rebobinado para transporte até ao transformador.

2.2 Tipos adequados de revestimento

O processo de galvanização contínua pode ser aplicado a diferentes tipos de revestimento que poderão variar na espessura, aparência e composição da liga metálica.

  • 2.2.1 Galvanização

O termo "galvanização" é usualmente empregue com referência ao revestimento contínuo “padrão” que praticamente é de zinco puro. Cerca de 0,2% de alumínio é adicionado ao banho de zinco com o objectivo de formar uma fina camada de ferro-alumínio na superfície do aço o que assegura a boa aderência do revestimento de zinco. O revestimento final tem uma boa maleabilidade e resistência à corrosão e provê uma excelente protecção sacrificial (secção 4.2).

  • 2.2.2 Galfan®

Galfan® é a denominação comercial de um revestimento composto de 95% de zinco e 5% de alumínio. Galfan® é conhecido pela sua maior resistência à corrosão quando comparado com a galvanização.

  • 2.2.3 Galvalume®

Galvalume® é a denominação comercial de um revestimento composto de 55% de alumínio, 1,5% de silicone e 43,5% de zinco. Galvalume® provê uma excelente barreira de anti-corrosão sobre revestimentos galvanizados.

  • 2.2.4 Tipos de acabamento da superfície

Os revestimentos de zinco ou das ligas metálicas contendo zinco poderão diferir na aparência conforme a dimensão dos cristais prateados ou do acabamento da superfície. O aspecto de 'lantejoulas prateadas' é o padrão que resulta do arrefecimento do zinco derretido quando o revestimento começa a solidificar. O tamanho destas 'lantejoulas' pode ser controlado ou elas podem mesmo ser eliminadas.

A presença ou a ausência deste aspecto cristalizado não tem qualquer influência na capacidade de resistência à corrosão nem em nenhuma propriedade estrutural do revestimento.

2.3 Pesos e espessuras do revestimento

O galvanizador controla a quantidade de revestimento que é colocado no aço. Esta quantidade de revestimento é medida por peso (gramas por metro quadrado) ou por espessura (microns, ou seja, milésimas de milímetro). A Tabela 2.1 alista vários tipos de revestimentos em contínuo disponíveis no mercado. A Tabela 2.2 refere o revestimento mínimo exigido para peças resistentes e não resistentes (ou seja, para a estrutura ou para divisórias). Mais pormenores sobre especificações do revestimento poderão ser obtidas na regulamentação com as referências ASTM A 653 (Galvanizado), A 792 (Galvalume®) e A 875 (Galfan®). Especificações para revestimento de peças estruturais também surgem em ASTM C 645 e C 955. [Estes regulamentos são emitidos pela ASTM (American Society for Testing and Materials), uma organização internacional que emite padrões para todas as áreas da indústria].

Um revestimento mais pesado pode ser aconselhável para aplicações em locais onde o ambiente é particularmente corrosivo. A Secção 3 contém mais informação sobre o desempenho dos revestimentos de zinco em vários ambientes e identifica as áreas onde protecção adicional poderá ser necessária.

3.0 Durabilidade das Estruturas em Aço Galvanizado

A durabilidade do revestimento base em zinco está relacionada com a duração da exposição à humidade e da composição da atmosfera (veja a secção 4 para mais detalhes). Visto que a estrutura metálica galvanizada de edifícios residenciais é mantida num ambiente interior seco, a taxa de corrosão do zinco é muito baixa. Considerando os índices de corrosão indicados na Tabela 3.1 e a espessura mínima de revestimento referida na Tabela 2.2, a galvanização pode proteger facilmente o aço durante toda a vida útil da habitação. Infiltrações, condensações ou humidade excessiva danificam qualquer material construtivo ao longo do tempo. De igual forma, tais condições irão acelerar a corrosão do revestimento em zinco. No entanto, se um edifício tiver sido erigido segundo as boas regras construtivas sendo adequadamente ventilado e recebendo a necessária manutenção, a humidade ambiente não será um problema para a estrutura em aço galvanizado. Protecção adicional é recomendada para casas construídas em ambientes particularmente agressivos (tal como nas zonas costeiras).

3.1 Desempenho em edifícios residenciais

O índice de corrosão dos revestimentos em zinco no ambiente interior de uma habitação é muito baixo. De acordo com um estudo de três anos efectuado pela British Steel, a corrosão do zinco é menor que 0,1 mícrons [ou seja, milésimas de milímetro] por cada período de três anos em casas localizadas em diferentes atmosferas: rurais, urbanas, marítimas e industriais (ver figura 3.1) Isto indica que, em iguais circunstâncias, um revestimento em zinco com 10 mícrons deverá durar mais de 300 anos. Esta espessura corresponde à galvanização Z120.

Adicionalmente, um exame detalhado foi efectuado em Maio de 1995 à estrutura em aço de uma casa com 20 anos localizada em Stoney Creek, Ontário, Estados Unidos. A inspecção não revelou sinais visíveis de corrosão na galvanização dos perfis em aço. Medidas efectuadas ao revestimento dos perfis, tanto nas paredes interiores como nas exteriores, não revelaram perdas mensuráveis da sua espessura.

3.2 O ambiente em edifícios residenciais

  • 3.2.1 Paredes interiores

Paredes não estruturais das divisórias interiores usualmente beneficiam do melhor ambiente da casa. É muito improvável que estes perfis sejam sujeitos à humidade numa base regular, sendo que os revestimentos mencionados na Tabela 2.2 fornecerão a adequada protecção. A ventilação de divisões susceptíveis de gerar grandes quantidades de humidade (tal como casas de banho e cozinhas) deverá ser conduzida para o exterior e não para a cavidade nas paredes ou sobre os tectos.

  • 3.2.2 Paredes exteriores

Processos adequados de construção, que incluem barreiras de vapor e protecção térmica, deverão eliminar qualquer exposição significativa da estrutura à humidade. Paredes com deficiências construtivas poderão resultar em condensações da humidade. A galvanização provê protecção ao aço nestas situações, mas não se poderá permitir que a humidade se acumule. Atenção particular deverá ser dada aos canais de base das paredes exteriores visto que poderão acumular humidade durante a construção ou mesmo após esta. Barreiras de vapor, telas ou massas vedantes deverão ser colocadas entre o canal e a fundação para prevenir a corrosão na eventualidade do betão ganhar humidade. Para a maioria das situações, os revestimentos mínimos referidos na Tabela 2.2 são suficientes. Revestimentos mais espessos poderão ser considerados para ambientes industriais ou costeiros.

  • 3.2.3 Vigas de piso e de telhado

As vigas de piso do primeiro andar ou sobre a cave dificilmente estarão expostas a condições agressivas. Para os canais e vigas que são directamente colocados sobre muros de betão, deverão ser tomadas precauções colocando uma barreira de vapor entre as peças metálicas e o suporte em cimento. Vigas do piso térreo normalmente são colocadas a alguns centímetros de distância do solo, gerando um espaço ventilado mas não visitável. Neste caso estarão expostas ao ambiente exterior, sendo aconselhável medidas adicionais de protecção devido à exposição prolongada a ambientes húmidos.

Devido à ventilação dos sótãos, as vigas de telhado estarão mais expostas ao ambiente do que qualquer outra parte da casa. Isto poderá ser uma preocupação em ambientes mais agressivos, tal como zonas industriais ou costeiras. Uma infiltração prolongada poderá provocar a corrosão de um determinado ponto da viga afectada.

4.0 Propriedades do Zinco

É bem conhecido que o aço enferruja quando deixado desprotegido em qualquer ambiente. A aplicação de uma fina camada de zinco sobre o aço é uma forma eficiente e económica de protegê-lo contra a corrosão. Os revestimentos em zinco protegem o aço por prover uma barreira física bem como uma protecção catódica.

4.1 Protecção por barreira

O principal mecanismo pelo qual a galvanização protege o metal que reveste, é pela constituição de uma barreira impermeável não permitindo que a humidade entre em contacto com o aço - sem humidade (o electrólito) não há corrosão. A natureza do processo de galvanização assegura que o revestimento em zinco possua uma excelente aderência e resistência à abrasão. Os revestimentos galvanizados não se degradam com o passar do tempo, ao contrário do que acontece com outros revestimentos, tal como a tinta. No entanto, o zinco é um material que reage e, portanto, sofrerá corrosão lentamente, ao longo do tempo (ver figura 3.1). Por esta razão, a protecção oferecida pela galvanização é proporcional à espessura do revestimento.

4.2 Protecção catódica

Outro importante mecanismo de protecção é a capacidade do zinco de proteger galvanicamente o aço. Quando o aço é exposto, tal como num corte ou num risco, o metal é catodicamente protegido pela corrosão sacrificial do zinco adjacente. Isto acontece porque o zinco possui maior electronegatividade (é mais reactivo) do que o aço, conforme demonstrado na Tabela 4.1. Na prática isto significa que o revestimento em zinco não será afectado pela sua superfície inferior (figura 4.1) uma vez que o aço, situado por baixo, não sofrerá corrosão em toda a zona adjacente ao zinco. [Ou seja, uma vez que é mais reactivo, o zinco exposto sofrerá corrosão mais rapidamente do que o aço. Os produtos químicos resultantes da imediata oxidação do zinco criarão uma nova ‘pele’ que, não sendo solúvel na água, fornecerá nova barreira protectora ao metal que reveste não permitindo que este último chegue a oxidar. Este processo de protecção sacrificial é ilustrado na Fig. 4.1a, em contraste com a pintura na Fig 4.1b]. Qualquer exposição do metal base, devido a dano no revestimento em zinco ou na extremidade cortada, não resultará na corrosão do aço e, portanto, não afectará o desempenho tanto do galvanizado como das propriedades estruturais do aço.

Tabela 4.1 - Série Galvânica de Metais e Ligas

Magnésio
Zinco
Alumínio
Cádmio
Ferro ou Aço
Aço Inoxidável
Chumbo
Estanho
Cobre
Ouro

Nesta série galvânica, qualquer um dos elementos indicados irá corroer, enquanto protege qualquer um dos metais ou liga metálica abaixo na lista desde que ambos façam parte de um circuito eléctrico.

4.3 Processo de corrosão

A capacidade de protecção do galvanizado depende do índice de corrosão do zinco. Assim, é importante compreender o mecanismo de corrosão do zinco bem como os factores que o influenciam.

  • 4.3.1 Mecanismos e factores básicos

O aço galvanizado recentemente exposto reage com o ambiente envolvente formando uma série de produtos químicos derivados da corrosão do zinco. Em contacto com o ar, o zinco recentemente exposto reage com o oxigénio formando uma fina camada de óxido de zinco. Quando existe humidade, o zinco reage com a água resultando na formação de hidróxido de zinco. O produto final resultante da corrosão é o carbonato de zinco que se forma devido à reacção do hidróxido de zinco com o dióxido de carbono presente no ar.

O carbonato de zinco forma então uma fina camada, muito resistente e estável (insolúvel na água), que provê protecção ao zinco, ou outro metal, que se situe abaixo. São estes produtos resultantes da corrosão que garantem ao zinco um baixo índice de corrosão na maioria dos ambientes.

A taxa de corrosão do zinco está relacionada com dois principais factores: tempo de exposição à água e a concentração de poluentes do ar.

A corrosão só ocorre quando a superfície está molhada. O efeito da água no índice de corrosão do zinco depende do tipo de humidade. Por exemplo, enquanto a humidade proveniente de infiltração de água da chuva pode lavar os produtos resultantes da corrosão do zinco, a humidade proveniente da condensação normalmente acaba por evaporar deixando os referidos elementos químicos no lugar. Visto que a estrutura em aço de uma casa deverá permanecer seca a maior parte do tempo, a taxa de corrosão do zinco será baixíssima.

O pH da atmosfera, da chuva ou de outros líquidos em contacto com o zinco têm um efeito significativo no índice de corrosão. Uma atmosfera ambiente moderadamente ácida ou fortemente básica poderá acelerar a taxa de corrosão. A maioria das atmosferas industriais contêm enxofre, na forma de bióxido de enxofre e ácido sulfúrico, os quais corroem o zinco.

Ambientes com presença de cloro (zonas costeiras) têm menor efeito no índice de corrosão do zinco do que os componentes contendo enxofre. Apesar disso, visto que o cloro pode ser um elemento permanente no ambiente de uma casa (nas zonas de costa marítima), um revestimento mais espesso poderá ser necessário.

  • 4.3.2 Ferrugem branca

Ferrugem branca é um termo usualmente empregue para descrever os produtos de corrosão de cor branca que algumas vezes se formam nas superfícies de aço galvanizado durante o transporte e armazenamento.

Quando peças de aço recentemente galvanizadas são armazenadas ou instaladas existindo humidade retida em contacto com as superfícies metálicas e a circulação de ar é reduzida, pode acontecer a formação de hidróxido de zinco. Este é um produto extenso, branco e sem funções de protecção. O hidróxido de zinco pode formar-se após uma única exposição à humidade, seja pela acção da chuva ou da condensação. No entanto, quando as áreas afectadas são expostas e se permite que sequem, os danos a longo prazo no desempenho da galvanização são mínimos. Por outro lado, se a humidade permanece concentrada na superfície das peças galvanizadas, em locais não ventilados, a corrosão do zinco pode prosseguir rapidamente até atingir o aço. Vários fabricantes de chapa de aço galvanizado aplicam um tratamento superficial para prevenir a formação da ferrugem branca.

4.4 Revestimentos galvanizados em contacto com outros materiais

  • 4.4.1 Contacto com materiais não metálicos

Massas e tintas:
Massas prontas e tintas recentemente aplicadas podem atacar o zinco, ou ligas contendo zinco, mas a corrosão cessará após os materiais secarem. Visto que estes produtos absorvem humidade, dever-se-á garantir que permaneçam secos ou então isolar a estrutura metálica de qualquer contacto com eles.

Madeira:
O aço galvanizado não reage com a madeira seca. Peças metálicas poderão ser aparafusadas com segurança a madeiras secas ou moderadamente húmidas. Pregos ou parafusos galvanizados têm sido usados com sucesso por muitos anos para fixar peças de madeira. Os vários produtos químicos usados para a secagem sob pressão da madeira tratada não são corrosivos para o zinco sendo que estas madeiras processadas não necessitam de cuidados adicionais.

Gesso e produtos de isolamento térmico:
O gesso cartonado e os vários tipos de isolamento térmico (lã mineral, celulose e espumas rígidas) não reagem com o aço galvanizado.

Cimento:
Cimento fresco recentemente aplicado poderá reagir com revestimentos galvanizados uma vez que é húmido e altamente alcalino. No entanto, quando o cimento seca deixa de ser agressivo para a galvanização. Visto que os tempos de cura são relativamente curtos, a corrosão do revestimento é mínima. Betão de qualidade superior, livre de cloro, não é corrosivo para o zinco.

  • 4.4.2 Contacto com outros metais

A interacção entre dois metais é uma reacção electroquímica que pode ocorrer entre alguns metais ou ligas diferentes, causando a corrosão de um e a protecção de outro. A reacção apenas acontece quando os metais diferentes estão ligados de forma a permitir um circuito eléctrico, havendo um electrólito (tal como a humidade) presente. É esta reacção que permite a protecção galvânica do aço pelo zinco nos locais onde o revestimento está danificado.

Baseada em estudos atmosféricos no exterior, a Tabela 4.2 apresenta o índice de corrosão galvânica do zinco quando em contacto com outros metais. Em condições normais no interior do edifício, os níveis de humidade são muito baixos. Consequentemente, a acção galvânica entre metais diferentes é muito inferior ao que acontece em ambientes exteriores. A interacção galvânica entre metais diferentes é complexa sendo que deve obter-se opinião especializada caso se pretenda ligar determinados metais. A extensão da ação galvânica depende dos metais envolvidos. Assim, a opinião especializada deve cair numa das três opções seguintes:

  1. A escolha dos metais é satisfatória e não provocará problemas de corrosão
  2. É melhor mudar para outra combinação de metais
  3. Usar os metais escolhidos mas garantir o seu isolamento eléctrico

De acordo com a tabela 4.2, a corrosão galvânica do zinco é mais severa quando, sob condições de humidade, está em contacto com o aço, cobre ou bronze. Se o contacto entre os revestimentos galvanizados e materiais feitos de cobre, bronze ou aço por galvanizar não puderem ser evitados, então deverão ser colocados elementos que isolem os metais nos pontos de contacto, impedindo assim o desgaste do revestimento galvanizado.

Por outro lado, o contacto entre revestimentos galvanizados e o aço inoxidável ou o alumínio resultará em menor corrosão. Ainda assim, isolar os metais poderá ser aconselhável em ambientes húmidos.

5.0 Construir com aço galvanizado

5.1 O fabrico de peças em aço galvanizado

O aço galvanizado em chapa é enviado aos fabricantes em bobinas. São então cortadas longitudinalmente em tiras e novamente enroladas. Estas bobinas mais estreitas são então perfiladas nas diversas secções dos elementos estruturais, sendo as peças resultantes cortadas à medida desejada e recebendo também orifícios a espaços regulares.

Visto que o revestimento foi metalurgicamente unido à chapa de aço, o zinco não se soltará durante as operações de moldagem. O zinco protegerá catodicamente o aço exposto nas extremidades cortadas (ver Secção 4.2).

5.2 Manuseamento e construção

O revestimento galvanizado é muito aderente e resistente à abrasão. Assim, o manuseamento normal durante o transporte, armazenagem e construção, não danificará o zinco. Procedimentos em obra, tais como o corte ou o aparafusamento exporá o aço, mas isto não terá consequências devido à capacidade do zinco proteger catodicamente as extremidades cortadas.

Deverão ser tomadas precauções para evitar a formação de ferrugem branca (ver Secção 4.3.2) em todos os pontos do ciclo de distribuição e de armazenagem no local de obra. O aço galvanizado deverá ser armazenado de forma a permitir a adequada drenagem e boa ventilação resultando na secagem rápida das superfícies após terem sido molhadas.

Em condições particularmente agressivas, tal como ambientes costeiros e húmidos, esforços adicionais deverão ser feitos para minimizar a exposição do aço durante a armazenagem e a construção.

5.3 Soldadura

Peças de aço galvanizado poderão ser unidas através de soldadura localizada ou contínua. Soldar poderá ser um método económico de conectar peças, especialmente na montagem de coberturas metálicas. Apesar de ambas as operações de soldadura volatilizarem o zinco no local da intervenção, a soldadura localizada provocará menores danos ao zinco circundante. A soldadura contínua remove completamente o revestimento de zinco de grandes áreas, muitas vezes críticas, da estrutura. Nestes casos, as áreas danificadas deverão ser retocadas com uma pintura de zinco (galvanização a frio) ou através de metalização. Apesar destes processos fornecerem igual, ou até superior, protecção do que o galvanizado original, requerem equipamentos especiais ou consomem tempo na aplicação.

5.4 Parafusos

Os parafusos usados nas estruturas de aço leve são usualmente protegidos contra a corrosão através de electrozincagem. Os revestimentos por electrozincagem são normalmente menos espessos do que a galvanização a quente e, portanto, fornecem menor protecção. Revestimentos Tipo II (testados segundo o documento B633 da ASTM) são os recomendados como o mínimo nível de protecção contra a corrosão a aplicar em parafusos destinados às estruturas em aço leve. Outros testes poderão ser necessários para outros tipos de fixação. Em ambientes mais agressivos, uma protecção superior contra a corrosão pode ser alcançada através de revestimentos orgânicos ou mesmo duplos revestimentos (isto é, revestimentos orgânicos sobre zinco). Os fabricantes de sistemas de fixação e parafusos poderão fornecer informação adicional sobre a protecção contra a corrosão adequada a um determinado ambiente ou sobre o nível de protecção provida por um determinado tipo de revestimento.

6.0 Conclusões

A galvanização através de imersão a quente, em zinco ou ligas contendo zinco, é um método económico e recomendado para prover proteção contra a corrosão durante longo período às peças metálicas estruturais. O processo de galvanização produz um revestimento metálico resistente que pode suportar as exigências físicas criadas durante o transporte, armazenagem e montagem em obra das peças em aço leve. Na maioria dos ambientes internos onde as estruturas são usadas, a taxa de corrosão do zinco, ou ligas contendo zinco, é muito baixa. Se for usado o revestimento com o peso recomendado, as peças metálicas usadas na estrutura permanecerão protegidas durante toda a vida útil da casa.

O tempo em que a humidade permanece, bem como a concentração de poluentes do ar, ainda que baixa, afectam a taxa de corrosão do zinco. Situações que expõem as peças metálicas da estrutura, por longos períodos, à acção da humidade ou a atmosferas agressivas, deverão ser evitadas. Revestimentos mais espessos de zinco ou revestimentos orgânicos poderão ser usados para aumentar a protecção contra a corrosão em áreas onde as condições agressivas não podem ser evitadas.

Referências

  1. Townsend, H.E., "Continuous Hot Dip Coatings", Metals Handbook, ASM International, 1995.
  2. John V., "Durability of Galvanized Steel Building Components in Domestic Housing", British Steel Technical - Welsh Laboratories, 1991.
  3. De Meo, L.D., "20 Year Inspection of LSF at DESH", Dofasco Inc. unpublished report, 1995.
  4. Zhang, X.G., “Corrosion and Electrochemistry of Zinc”, Plenum Publishing Corp., 1996.

Documentos técnicos

Apresentamos abaixo alguns documentos técnicos relacionados com a galvanização dos elementos estruturais do sistema LSF.

AISI01.pdf SFA01.pdf

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