Diário de Notícias
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No dia 29 de Janeiro de 2011, o Diário de Notícias publicou um suplemento especial sob o tema: Isolamentos. O Engº Francisco Vilhena, responsável pela empresa construtora Dosmontes, assinou um artigo intitulado: "Casas de baixa inércia térmica - Vantagem ou desvantagem?". O texto, que pode ser lido abaixo, apresentava argumentos a favor da inércia fraca, característica dos edifícios com estrutura em aço leve.

JANEIRO 2011
ARTIGO DE OPINIÃO

CASAS DE BAIXA INÉRCIA TÉRMICA

VANTAGEM OU DESVANTAGEM?

Qual o significado de inércia térmica? Tal como a conhecemos, a inércia é a tendência para deixar tudo como está

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Dinamicamente, se estava parado, é a oposição a iniciar o movimento, se estava em movimento, é a dificuldade na travagem. É uma grandeza associada à massa, quanto maior esta for, maior a inércia. Também a inércia térmica é a resistência oposta à alteração da temperatura instalada.

Edifícios de baixa inércia térmica, construídos com materiais leves, terão uma massa baixa. As suas paredes não são em alvenaria nem em betão, menos ainda em pedra ou muito espessas. Serão tradicionalmente casas com paredes em madeira ou, mais recentemente, em perfis metálicos ligeiros e revestimentos de baixa espessura, como o gesso laminado e contraplacados ou aglomerados, envoltos em materiais isolantes.

E qual a vantagem de uma baixa inércia térmica? Obviamente, muita. Já verificou que quando chega à sua tradicional casa de alta inércia térmica, depois de todo o dia ausente, no Inverno a casa estará fria, se não deixou o aquecimento ligado? E com o crescente custo da energia e a tradicional falta de isolamento, quem é que pode pagar o desperdício de um aquecimento ligado quando estamos ausentes? Com a sua alta inércia térmica, aquecê-la é uma questão de muita energia e tempo, ou seja, aquecer uma casa tradicional é caro e o tempo até atingir uma temperatura de conforto é, no mínimo, desconfortável!

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Se a sua casa tivesse paredes e tectos em placas de gesso cartonado e, por trás destas, lã mineral, a massa a aquecer, para além do ar interior, teria uns simples 15 a 30mm de espessura de gesso, já que a lã que está por trás retarda a dissipação do calor através da parede. Ou seja, ligado o aquecimento, muito rapidamente o calor se fará sentir no espaço aquecido. Resultando de imediato no desejado conforto térmico, com baixo custo energético. Se associado ao factor de baixa inércia térmica estiver também um bom isolamento do conjunto o calor não se perde, não sendo necessária muito mais energia para manter uma temperatura estável.

Qual a desvantagem da baixa inércia térmica? Muito pouca! No Verão, uma fonte de calor interior também faz subir a temperatura facilmente. Portanto, há que ter como arrefecer. É necessário ou desejável ter um bom sombreamento, ventilação ou um equipamento de arrefecimento do ar. A actual certificação energética dos edifícios, contra aquilo que aqui foi dito, premeia a alta inércia térmica. Considera que no Inverno, durante o dia, um edifício exposto à luz solar absorve na sua massa essa energia, a qual se manterá presente em quantidade suficiente para nos dar o desejado conforto térmico durante a noite! Estas condições, que eu tenha verificado, só se dão na Primavera e Outono, alturas em que o conforto interior é fácil de alcançar. No Verão, a frescura da noi¬te absorvida pela sua elevada massa, fornece durante o dia uma frescura no interior. Aqui podemos estar de acordo, desde que a massa seja tão elevada que não seja necessário arrefecer com recurso a outros métodos, tal como nas casas de paredes muito espessas e com janelas pequenas. Nada do que a arquitectura e construção actuais executam.

Vivi durante o tempo suficiente nestas condições de falta de conforto, das tradicionais casas de alvenaria e betão. Vivo actualmente numa casa em estrutura metálica ligeira, paredes em pladur, lã mineral, placas de aglomerado de madeira e isolamento térmico pelo exterior. Gozo agora das condições de conforto que uma casa de baixa inércia térmica me proporciona, e já não abdico de andar durante o Inverno em mangas de camisa dentro de casa, com muito baixo custo energético. Quanto ao índice da certificação energética, com este critério, passo bem sem a melhor nota. É um facto conhecido que têm maior sucesso profissional os alunos de catorze, do que os de vinte. Ou seja: é na prática que se verifica a realidade.

Estamos em pleno século XXI! Tempos de alta tecnologia, produzindo-se inúmeros materiais desenhados para cada função específica. Por quanto tempo mais ficaremos agarrados ao multifuncional, e de medíocre desem-penho, tijolo de barro? É caso para perguntar se não haverá nos métodos construtivos tradicionais, tal como nos critérios de certificação energética, também alguma inércia à evolução da construção!

ENG. FRANCISCO VILHENA

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