A Capital & O Comércio do Porto
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A edição de 29 de Setembro de 2004 dos jornais A Capital e O Comércio do Porto incluíam uma extensa reportagem sobre o Light Steel Framing, com texto da jornalista Sara Diniz.

Deixamos ainda o texto integral para que possa ler o que foi publicado na ocasião, lembrando que alguns dados poderão já estar desactualizados.

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CONSTRUÇÕES EM AÇO GALVANIZADO - LIGHT STEEL FRAMING
Este suplemento faz parte da edição número 11609 de A Capital de 29 Setembro 2004 e não pode ser vendido separadamente

SARA DINIZ - TEXTO
ANTÓNIO MELÃO - FOTOS

Casas inovadoras seguras e confortáveis

O mercado da construção civil em Portugal está a ver nascer uma alternativa à edificação convencional em betão armado. Inovadoras, seguras e confortáveis, as casas de habitação ou as grandes superfícies, como centros comerciais e estádios, a estrear, ou a remodelar em ruas de difícil acesso, podem ser erguidas através de um esqueleto em aço galvanizado coberto por um edredão de duas faces, leve, mas muito resistente à temperatura, ao ruído e aos agentes naturais.

Quem as veja, como nós, já prontas e habitadas, ao lado de outras semelhantes não nota, à partida, qualquer diferença. Parecem iguais. No entanto, na urbanização que visitámos, por exemplo, em Chão Duro, na Moita, há moradias construídas pelo processo convencional em betão armado e tijolo e outras pelo inovador método de estrutura em aço galvanizado leve, e revestimento resistente à temperatura, ao ruído e aos agentes naturais, composta, entre outros materiais isoladores, de aglomerado de madeira OSB, «parecido com o contraplacado marítimo usado nos decks dos navios, mas ecologicamente mais equilibrado, e de fácil aplicação», segundo Carlos Pereira, o entusiasta director comercial e responsável pelos cursos de formação da jovem empresa (apenas com três anos) Futureng, Lda., sedeada em Vale Figueira, vocacionada principalmente para a prestação de serviços à indústria da construção de edifícios com estruturas em aço leve.

“Importado” por um emigrante português que trouxe para cá a ideia dos Estados Unidos da América, onde está implantado há cerca de 20 anos especialmente no sul, zona em que os ventos fortes e os sismos são uma ameaça constante – ainda recentemente vimos os efeitos devastadores da natureza - o inovador método dá agora os primeiros passos em Portugal pela mão da Futureng (aqui a “falar” em nome das nove empresas de construção com quem forma parcerias), apesar de já ser conhecido há dez anos, através de empresas, onde trabalharam Carlos Pereira e o projectista João Santos, fundadores daquela empresa de serviços.

PROJECTOS

«Nós não construímos, temos parcerias com construtores, por enquanto apenas nove», esclarece Carlos Pereira. «O nosso trabalho baseia-se na prestação de serviços à indústria de construção de edifícios com estrutura de aço leve (Light Steel Framing-LSF), na qual nos especializámos através de uma participação regular em congressos e feiras, designadamente da Metalcon, que se realiza todos os anos nos EUA, em Outubro».

«Uma parte significativa do nosso trabalho está relacionada com a execução de projectos de engenharia civil (de estabilidade, e de comportamento térmico e acústico), tanto para as estruturas de aço leve como para as fundações e muros de sustentação em betão armado», especifica João Santos, chamando a atenção para o receio que os construtores ainda têm de executar moradias pelo método LSF, pelo que experimentam uma edificação mista (em betão armado, divisórias internas em aço e cobertura dos tijolos por dentro em placas de gesso cartonado e por fora em placas de poliestireno expandido, EPS), para que a venda seja mais fácil.
«Mas o certo é que o método de LSF começa já a vingar», refere Carlos Pereira, exemplificando: «Na primeira fase das Villas do Rio, uma urbanização média, conseguiu vender-se apenas uma vivenda com estrutura em aço galvanizado na fase de projecto , ou seja, no papel, e porque foi a um jovem que viera de Inglaterra e conhecia o método, mas nesta segunda fase, das 14 moradias de dois pisos geminadas construídas já se venderam 11 ainda na fase de projecto! Aliás, a primeira fase acabou por ter mais sucesso em aço do que em alvenaria, uma vez que se construíram oito na construção tradicional e 12 em LSF.»

PREÇOS

Se bem que o preço das moradias varie conforme o local e os acabamentos, existe uma casa-tipo em LSF que pode servir de comparação para o eventual comprador: um T3 com duas instalações sanitárias e uma área de 130 m2 pode ser comercializado por cerca de 95 mil euros. E mais: pode ser construído em quatro meses somente!

Ou seja, apesar deste tipo de construção incluir materiais topo de gama – as próprias portas e janelas são de PVC, por terem um comportamento melhor em termos térmicos, não permitindo a perda de uma das grandes vantagens do método LSF, o isolamento – , muito mais caros que os da construção convencional em cerca de 30 a 40%, o facto de levarem muito menos tempo a acabar e de utilizarem muito menos mão-de-obra (são necessários apenas quatro ou cinco profissionais para montar uma moradia), «faz com que os preços venham a ficar praticamente os mesmos de uma moradia em betão, dependendo exclusivamente da sua localização e dos acabamentos», conforme nos garantiu Carlos Pereira.

De facto, se na Moita, por exemplo, a construção custa 600 euros por m2, na Quinta da Beloura vai aos 900/1000 euros. «Para quem pretende construir para revender, este é, de facto, o melhor processo construtivo», adianta o director comercial da Futureng. «Ao invés de ter de aguardar doze ou mais meses antes de poder oferecer uma habitação vulgar ao mercado, o revendedor poderá reaver o seu investimento em apenas alguns meses. E nem sequer está a oferecer um produto comum, mas sim uma habitação de alta qualidade que se publicita a si mesma especialmente durante o processo de construção. E para quem pretende vender a sua casa anos mais tarde, terá a vantagem de poder apresentar um imóvel com aspecto de recém-construído pois este não apresentará nem fissuras, nem infiltrações, nem cores desbotadas».

A garantia normal destas construções é de 15 anos e a sua durabilidade é de muitos mais. «Só na galvanização, que é feita com zinco, é garantida uma durabilidade de 700 anos!», sustenta Carlos Pereira.

REMODELAÇÕES

As estruturas em aço galvanizado adaptam-se a qualquer tipo de projecto arquitectónico, podendo constituir o esqueleto de uma moradia isolada ou geminada, totalmente construída de acordo com o método LSF, ou apenas as divisórias de um espaço grande, quer vertical quer horizontal (sobretudo para erguer pisos intermédios de lojas pequenas em centros comerciais ou para dividir gabinetes), ou servir para o aumento de um piso numa construção antiga, ou ainda a única solução logística para a remodelação de prédios em zonas históricas e de difícil acesso.

«Um projecto de remodelação de uma casa na freguesia da Sé de Lisboa, só foi possível com o nosso método, uma vez que ficava num beco inacessível a qualquer camião ou grua», conta o projectista João Santos, realçando a facilidade de transporte e montagem de todos os materiais para LSF, começando pela leveza das vigas e perfis de aço galvanizado (a mais pesada, com 90 kg, tem 12 metros de comprimento e pode ser segmentada) e acabando nas placas de OSB, de gesso cartonado, de poliestireno expandido (vulgo esferovite) e das mantas de lã de rocha.

«Foi através do nosso método construtivo que foram feitos os gabinetes com dois pisos do Pavilhão Multiusos do Estádio José Alvalade XXI, bem como várias lojas da Sacoor em centros comerciais espalhados pelo País e outras, quer no Vasco da Gama e no Colombo, em Lisboa, quer no Via Catarina, no Porto, sendo as vigas do Pavilhão Atlântico do Parque das Nações feitas em madeira da família do aglomerado OSB», salienta, a título de exemplo, João Santos. Aliás, o famoso par, casado recentemente, formado pela actriz Fernanda Serrano e pelo apresentador Pedro Miguel Ramos, foi viver exactamente para uma moradia de luxo construída pelo método de aço galvanizado, na zona in da Aroeira…

«E se, por exemplo, tivermos que aumentar um edifício em mais um piso, é mais leve todo este construído segundo o nosso método, do que o telhado da construção convencional », explica.

FACILIDADES

Além de que é uma obra seca – mal é utilizada água – muito mais limpa, uma vez que o entulho é reduzido a uns pequenos restos de materiais que sobram, não necessita de grua para os transportar para os locais de construção, não produz ruídos grandes, para além das vantagens de isolamento, segurança e versatilidade que já foram referidas.

«Interessante é lembrar também, nesta época de defesa do ambiente, que o aço galvanizado é reciclável a 100%», acrescenta João Santos. «Aliás – acentua –, o aço galvanizado não é atacado por agentes biológicos, não é combustível (bem como todos os materiais deste método construtivo), não torce e não parte, ao contrário da madeira, que veio substituir». Na realidade, foram os preços muito voláteis da madeira e a sua menor qualidade, devida ao bicho e às chuvas ácidas, que deram lugar ao aço leve, muito utilizado na aeronáutica, nas indústrias naval e automóvel e nos electrodomésticos, como alternativa na construção civil, principalmente nos países onde aquela era tradicional, como os EUA, o Japão, a Inglaterra, a Coreia, a França e a Escandinávia.

ISOLAMENTO

Feito em sistema de gaiola, como as estruturas pombalinas, mas com vigas de aço em vez de madeira, a construção LSF assegura simultaneamente «uma grande segurança, e excelente isolamento térmico, acústico e contra impactos, o que proporciona um enorme conforto para quem a utiliza», conforme destacaram estes dois fundadores da Futureng (o terceiro, só em part-time, é o engenheiro Miguel Sá).

O objectivo é isolar a construção de dentro para fora com uma parede pintada revestida com gesso cartonado, que é incombustível, lã de rocha, placas de difícil combustão de OSB – um aglomerado de madeira prensada completamente resistente ao bicho e às humidades, muito parecido com o contraplacado marítimo e que leva um tratamento químico –, um edredão de EPS de 40 mm e, antes da pintura, de um reboco térmico, que já vem amassado em baldes (como as tintas) e embebe uma rede indestrutível e de malha de densidades diferentes conforme os ângulos e os locais de maior ou menor risco de impacto.

O aço galvanizado provém das siderurgias de Espanha, Alemanha e Inglaterra e chega em bobines, sendo transformado em Portugal, uma vez que a nossa siderurgia nacional foi extinta. Curiosamente, as placas OSB vêm na sua maioria de França,e ainda de Inglaterra e da Polónia. «Enquanto o contraplacado marítimo é feito de anéis de troncos de árvores adultas, o OSB é feito de fasquias de árvores jovens plantadas para o efeito», esclarece Carlos Pereira, ressaltando o facto de esta ser uma forma de ajudar à reflorestação dos terrenos.

As infiltrações nas habitações LSF são praticamente improváveis, até porque o telhado leva também grande isolamento, incluindo sub-telha, mas, a haver, serão de imediato detectáveis no revestimento de gesso cartonado e também de fácil arranjo. Aliás, uma das grandes vantagens deste tipo de construção é o facto de todas as canalizações ficarem muito mais acessíveis ao correrem dentro dos perfis de aço. Para além de estarem defendidíssimas contra os incêndios, estas construções são muito flexíveis – possuem centenas de peças estruturais e milhares de parafusos –, pelo que, em caso de sismos, não caem e, só se for um sismo de grandes dimensões é que poderão ficar um tanto torcidas, conforme nos garante João Santos. «Tudo isto leva a um gasto de energia e a uma manutenção muito menores, o que representa uma mais-valia e um retorno », sublinha o projectista.

FORMAÇÃO

Para além dos projectos, a Futureng faz formação especial junto das empresas de construção, disponibilizando cursos de cariz técnico-comercial, de orçamentação e de formação prática em obra, de modo a conseguir expandir a sua inovadora técnica.
Durante cinco dias, os sócios da Futureng transmitem oralmente os seus conhecimentos sobre o método de construção LSF a todos os interessados das empresas que se candidatam, por um preço global de 2500 euros, deslocandose normalmente aos seus locais de trabalho, e publicitando-a ainda através da internet e do seu boletim.

Os cursos de orçamentação levam dois dias, custam 450 a 500 euros e os formandos levam o programa respectivo da folha de cálculo para si, não deixando a Futureng de lhes dar apoio durante um ano. Para além disso, fornece a todos um estágio em obra com o respectivo aconselhamento e apoio. «Achamos que poderemos vir a ter, no futuro próximo, um papel na construção social, pois esta é uma forma de rentabilizar a construção em banda», conclui, esperançado, Carlos Pereira.

[Fotos]

  • GESTEDI (Aveiro) – Moradia unifamiliar na Patela
  • STEEL (São João da Talha) – Vivenda em Santo Estêvão
  • DOSMONTES (Alcácer do Sal) – Interior de casa rural
  • GLOBALAÇO (Poceirão) – Vivenda unifamiliar em Redondos
  • GSN (Loures) – Moradia de Fernanda Serrano na Aroeira
  • TOPOCIVIL (Faro) – Moradia unifamiliar de dois pisos
  • ENGIAÇO (Braga) – Vivenda em Marco de Canavezes
  • RESTRUCTURE (Porto) – Interior do café Parisien, em França
  • WORK FORCE (Fernão Ferro) – Showroom em Fernão Ferro

[Vantagens em Destaque]

VANTAGENS

A estrutura é toda em perfis e vigas de aço galvanizado leve, muito fáceis de trabalhar. O revestimento é feito com placas de um aglomerado de madeira, designado por OSB. Por dentro, a casa é forrada também com placas de lã de rocha e de gesso cartonado e leva ainda por fora placas isoladoras de EPS e um reboco que vem já amassado.

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